diálogo a duas formas. privados teus

sou um homem-capaz.
não sou o super homem mas a minha fragilidade não me mata. então permaneço aqui a lutar todos os dias.
– a lutar? então, para ti estar aqui é uma luta contra uma força da natureza?
não, lutar, não, sobreviver, sobrevivo aos dias. nos dias.
– então estares por aí é sobreviver a um respirar? como se tivesses abduzido o teu próprio ser?
não, sobreviver, isso não, seria matar-me cada dia. mas afinal é isso, matar-me cada dia. não, espera. vivo-me todas as noites.
– não queres morrer?
quero encantar-me, quero viver encantado com as horas.
– mas são muitas horas.
por isso não consigo, não me encantam os minutos todos, perco-me e entro-me em alguns, por isso não gosto de mim. mas quero ser quem sou, sou assim, este sou eu.
– esse?
sim, os outros são dificeis, não sei lidar com os outros meus. os outros querem emoções e vivências brancas.
– isso é bom, são transparências de nós próprios.
não sou eu.
– és sim. és sim.

pois sou, sou eu, e quero ser isso. mas não o sei, estou perdido e habituado a este mim.
mas conheço um caminho. vou por lá. até já.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s