Sinto-me aguçadamente anulada

Dei por mim a ouvir murmúrios escondidos
sons que me batiam de longe, levemente.
O tempo passava e sentia mais alto, esse barulhos,
esquecidos
agoniados
exaltados
na minha mente.
A nódoa negra que me aparecia seria ouvida
– não vista, não tocada, não na pele sentida.
De cada conversa que me iniciava na boca
servia perdida, sem vida,
o prato da comida seca, sem água, sem açúcar, sem sangue verdadeiro.
Servia vezes sem conta,
Esse murmúrio mais alto, mais escuro, mais hospedeiro.
Penteio
os cabelos
que se soltam na água.
Apareces-me ao relento
e te disparo, te acerto, te enxovalho.
Te recomeço de novo sem defeito.
Revoltas-me em círculo,
torneada
remendada
aguçada.
Em volta de mim mesma sou anulada,
Em torno de mim própria sou abandonada.

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