A saudade do teu silêncio

Havia uma manhã
em que me sentava na janela e ouvia
os teus sons que me chegavam de lá de fora
e pensava que um dia
haveria de ser eu a fazer ruídos
e tu a ouvir-me gritar,
cada vez mais alto,
o som dos ventos que assobiavam nos meus ouvidos.

Havia noites
em que era mesmo eu a fazer ruídos,
a chamar-te com medos que eram meus
e eras tu que vinhas e
me acalmavas,
que torneavas,
me acariciavas com as tuas mãos
de Pai maior
e me davas o silêncio
que eu tanto queria.
O teu silêncio era a minha paz.

Houve um dia
em que deixei de te ouvir,
em que as lágrimas faziam
barulhos
duros
demais.
Em que a cabeça era tão grande
– e tão vazia
que o meu corpo doía por estar tão descompassado,
largado,
perdido,
escorrido,
fingido,
cheio de nadas (que me obrigavam a dar tudo),
quando o que eu mais queria
era ter o tudo que tu me davas
com tão pouco.

Há um hoje
em que ainda penso em ti
e sinto a revolta de não ter-te comigo.

Há um hoje
em que ainda choro
a primeira lágrima do ontem quando não te vi.

Há um hoje
que deseja olhar-te, ver-te,
apalpar a tua mão na minha,
querer abraçar-te
e apertar-te
maior
e mais alto
e ouvir o teu silêncio único,
sozinho,
tão meu,
tão nosso.

Há um hoje
em que o teu silêncio
era tudo o que eu queria ouvir
– agora.

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2 thoughts on “A saudade do teu silêncio

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