O vestido amarelo dela

Ela dançava na rua, enquanto descia a calçada
e os seus braços dançavam com ela
e ela levava aqueles olhos verdes – tão grandes
que eu me deixava ir descendo, junto com ela.
Depois, os seus pés brilhavam no caminho dela
como se a brilhantina do caminho dela
fosse feita do pó da estrada
libertando – em cada passo solto, um após o outro,
a direcção que dentro de mim ela caminhava,
e os seus cabelos longos e soltos
faziam a minha mente sonhar
como sonham os deuses depois de morrerem
e depois de viverem eternamente
nos sonhos de quem já soube amar.
As suas mãos macias percorriam as minhas palavras
como se, por cada letra escrita
e com a tinta desta minha caneta,
os seus dedos soltassem indizíveis caricias
nos poemas que eu escrevia
e apenas por imaginar
o brilho do seu olhar,
e as suas mordidas lembravam aquelas
que eu queria morder
um dia, quem sabe, se a encontrasse:
por entre os seus lábios e a sua voz tão doce
como se doce fosse o alimento que eu comia
e a falta dele me desse um vazio
nessa minha alma tão vazia.
E o seu vestido rolava tão sereno
como se a serenidade nascesse ali mesmo
e por dentro daquela saia amarela,
e por cima dos pés dela,
e com o meu amor ao lado
com o meu coração tão apertado.

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